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A Constelação Familiar como uma técnica alternativa de resolução de conflitos.

21/05/2020

 

A Constelação Familiar é uma prática sistêmica, desenvolvida pelo Alemão Bert Hellinger, e ensinada como uma técnica terapêutica alternativa que tem como foco a solução de conflitos, a partir da compreensão familiar.

 

Segundo Hellinger, existe uma alma familiar que une todas as pessoas da família, independentemente de estarem vivas ou mortas. Em seu livro Viagens Interiores esclarece que:

A alma também nos une a outras pessoas. Em primeiro lugar, ela nos une à nossa família: a nossos pais, irmãos e antepassados, ela nos une a eles como se tivéssemos uma alma comum, uma alma maior. Nossa alma pessoal atua em função dessa alma maior que, por sua vez, atua na alma que vivenciamos como pessoal. (Hellinger, 2008, p. 38)

 

Assim, a constelação familiar permite a identificação de problemas pessoais a partir de abordagens relacionadas com a psicanálise, dinâmica de grupo, terapia primal, etc.  A técnica consiste de forma que o indivíduo é convidado para colocar seu tema (problema/questão) perante um terapeuta que escolhe representantes para um ou mais membros da sua família, formando a constelação que permitirá apresentar uma solução compreensível.

 

Com efeito, a relação do indivíduo com seus familiares impacta e influencia diretamente no seu comportamento perante a sociedade e neste aspecto a constelação familiar busca compreender mais a fundo os motivos que o fazem se comportar de tal maneira, inclusive para fazê-lo apreender a lidar com as adversidades e desafios da vida, basicamente compreendendo e reconhecendo a sua personalidade.

 

Essencialmente a constelação familiar estuda os padrões de comportamento de grupos familiares através de suas gerações e explica que há uma repetição de tais comportamentos, de acordo com gerações, mesmo que de uma maneira inconsciente.

Para Hellinger a família é a base de cada ser humano, e quem desejar encontrar seu lugar na tarefa da vida, tem que integrar os princípios básicos da vida, os quais ele chamou de Ordens do Amor.

 

As Ordens de Amor são leis universais de vida, independentes da cor da pele, da cultura e da religião e formam a base para o sucesso da vida em todos os níveis, e são assim representadas: Lei do Pertencimento, Lei da Hierarquia e a Lei do Equilíbrio. O descumprimento de qualquer lei produz grande chance de surgirem os desequilíbrios familiares.

 

A lei do pertencimento refere que o indivíduo precisa se sentir parte de todo o sistema familiar, independentemente de seu comportamento e atitudes serem boas ou ruins. Cada família tem um vínculo interno muito forte e todos os seus membros merecem atenção. E, se de algum modo algum membro for excluído por alguma atitude ruim, ele será representado futuramente por outro membro que irá impor a si mesmo destino similar, por isso, é importante desenvolver e compreender o comportamento deste membro e permitir a sua manutenção na relação familiar.

 

Neste enfoque podemos citar o comportamento das crianças, as quais tomam sentimentos de outros membros da família. As crianças são leais aos seus pais e, devido a esta lealdade, elas tendem a repetir o destino destes pais e seus infortúnios. Assim, ao vivenciar determinados comportamentos de qualquer outro membro, a criança os desenvolve em si mesmo, o que será carregado por muitas gerações da família.

De outro modo a lei da hierarquia revela que dentro do sistema familiar, cada pessoa ocupa uma posição, devendo respeitar aqueles que vieram primeiro, ou seja, os filhos devem respeito a seus pais e, estes, por sua vez, precisam respeitar seus antepassados. A inversão desta ordem representa um conflito familiar.

 

Já a lei do equilíbrio dispõe que é necessário que todos os membros da família expressem e entreguem (dar e receber) seus sentimentos de forma proporcional, a fim de que haja um equilíbrio nas relações.

Cada uma dessas três necessidades submentem o indivíduo a forças que desafiam seus desejos e ânsias pessoais, controlando, exigindo obediência e coagindo. Operando, então, como leis que limitam as vontades e expressões individuais, mas também tornam possíveis os relacionamentos íntimos com outras pessoas. (Hellinger. 2015.p.25)

 

Vê-se que os desvios de conduta e comportamento estão relacionados emocionalmente com as relações familiares, e neste aspecto acredita-se que a constelação familiar se revela um instrumento positivo para possibilitar a esse indivíduo ser reintegrado para a convivência familiar, impedindo que tal exclusão se prolongue ao longo do tempo e produza maiores reflexos negativos.

 

Assim, a Constelação Familiar pode ajudar em todos os problemas de origem sistêmica, sendo desde problemas de relacionamento de casal, com filhos, todos os tipos de vícios, problemas emocionais, etc.  Hoje a Constelação Familiar é aplicada em diversas áreas, sendo na política, universidades e escolas, judiciário, hospitais, empresas, e para todas os assuntos individuais.

 

O uso das técnicas da constelação familiar, na esfera jurídica brasileira foi introduzida pelo juiz Sami Storch, na comarca de Castro Alves no interior da Bahia. E, a partir de então, essa técnica foi difundida perante todo o judiciário como instrumento de mediação para a resolução de conflitos, no contexto dos métodos consensuais.

 

Entretanto alguns enxergam as constelações familiares como ceticismo e perigosa, ao ser aplicada pela Justiça brasileira, pois não é reconhecida pela comunidade científica e não possui qualquer evidência da eficácia, embora  desde março de 2018, o método foi reconhecido oficialmente pelo SUS (Sistema Único de Saúde)  como uma prática complementar de saúde, e está amparada na Resolução 125/2010 do Conselho Nacional de Justiça que estimula práticas que proporcionam tratamento adequado dos conflitos de interesse do Poder Judiciário.

 

Apesar da resolução do CNJ amparando a técnica, não há diretrizes específicas para sua aplicação, dependendo de ela ser receptiva por cada juiz ou vara judicial. Assim, mesmo que desafiadora e não regulamentada, acredita-se que a constelação familiar pode servir de instrumento positivo para resolver os conflitos familiares, a partir da elucidação das questões internas, da superação e da evolução pessoal.

 

É importante que o indivíduo conheça e respeite a sua história e a partir desta percepção terá maior facilidade de compreender e respeitar seus pais, filhos, a sua família, e posteriormente de se relacionar com outros indivíduos de forma coesa e pacifica, buscando dar o melhor de si.

 

O maior ensinamento da Constelação Sistêmica de Bert Hellinger é aceitar o passado é entender que ele não pode ser alterado e, mais do que isso, perceber que os fatos que ocorreram fazem parte da única forma possível da vida ter seguido adiante.

 

O desafio é justamente difundir essa técnica para atuação no Judiciário, especialmente nas questões de direito de família,  com a criação de mecanismos de regulamentação, definindo parâmetros e limites de aplicação, inclusive, uma forma de manter o acompanhamento dos indivíduos que participaram da constelação, a fim de conferir maior credibilidade quanto a sua aplicação.

 

O direito está evoluindo e os métodos consensuais de resolução de conflitos são uma importante ferramenta que deve ser trabalhada e difundida entre seus operadores, desmitificando a cultura de que apenas um Estado – Juiz é suficiente para solucionar o conflito entre as partes. E, no caso do direito de Família, a solução não é apresentada com um documento/sentença, mas deve ser trabalhada ao longo dos meses, anos, possibilitando sobretudo a cumplicidade, o respeito e preservando a manutenção dos laços afetivos.

Referências:

 

Hellinger, B. (2008). Viagens Interiores. Patos de Minas, MG: Atman;

HELLINGER, Bert. Simetria oculta do amor. Trad. Newton A. Queiroz. 6ed. São Paulo: Cultrix, 2015. 320p.

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